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Cunha, uma anedota maquiavélica

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Capa da Veja desta semana Lendo alguns comentários sobre os desdobramentos do impeachment, achei interessante algumas pessoas indicarem que Eduardo Cunha será descartado tão logo tenha cumprido sua função. Seria uma questão de tempo até que esta figura odiada por todos os lados da questão (ptistas, coxinhas e isentões) fosse ejetada do exercício do poder para cair no esquecimento, provavelmente, um ostracismo remunerado. Achei interessante e me lembrei de uma anedota narrada por Maquiavel em seu "O Príncipe" que penso caber como uma luva nesta situação. A triste história de Ramiro de Orco é contada no capítulo "Dos principados novos que se conquistam com as armas e fortuna dos outros". Título pra lá de sugestivo..rs " Tomada que foi a Romanha, encontrando-a dirigida por senhores impotentes, os quais mais depressa haviam espoliado seus súditos do que os tinha governado, dando-lhes motivo de desunião ao invés de união, tanto que aquela província era...

Entre o Amor e o Abuso

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Cena do clipe Cherry Wine - Hozier "A moral é que a mulher, tal como a natureza a criou e como o homem atualmente a educa, é sua inimiga, podendo tão-somente ser sua escrava ou sua déspota - jamais sua companheira. Isto, só quando ela tiver os mesmos direitos que ele; só quando por nascimento, pela formação e pelo trabalho, for igual a ele. - Agora temos nós a escolha de ser o martelo ou a bigorna, e eu fui o burro, ao me fazer escravo de uma mulher. Entendes?" A Vênus de peles Escolhi esse trecho da Vênus de Peles de Sach Masoch para mostrar que o abuso é um jogo aberto, onde o algoz pode assumir varias formas, independente de gênero, laço afetivo, classe social.. é um jogo sem demarcações claras. O mais difícil não é salvar a vítima, ou condenar o algoz, o desafio aqui é perceber como abuso se estende para além da violência bruta, daquelas páginas sangrentas do noticiário, lançando raízes profundas sobre a placidez de nossa intimidade. Na história da Vênus de pel...

A orgia é o que nos resta

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Eu sinto algo estranho quando passo ao lado daquele restaurante de rodízio Bovinus. Não sei se você já sentiu isso, mas quando olho aquele prédio imenso, com várias janelas fechadas e aquele letreiro vermelho, isso me lembra uma espécie de puteiro, tipo um prédio daqueles tenebrosos que eu via em jogos do naipe Max Paine. Sinto que o capeta mora ali dentro e que seus visitantes participam de um culto secreto. Pensando nisso, comecei a viajar na ideia do por que nós permitimos certas orgias e outras não, você já pensou nisso? Esse caso do Bovinus, nós achamos bonito comer carne até o cú fazer bico e as pessoas até se gabam disso, tipo quando visitam um rodízio de pizza e comem 20 pedaços e dizem: uau já comi 20 pedaços! Aí aparece outro e diz que já comeu 30. Comer é uma orgia permitida nos rodízios. Mas se pensarmos rápido, percebemos que para manter essa disponibilidade de comida, nós teremos que transformar o planeta numa grande fazenda, coisa que não combina com a ideia de sus...

A Frustração dos Outros

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A família reunida pela pequena Olive Minutos antes de Olive subir ao palco, Sheryl é interpelada pelo filho e pelo irmão que imploram para que ela não deixe a filha ir à apresentação, pois temiam que ela seria execrada pelo público. Existe uma tensão no ar e a assistente de palco se aproxima para chamar a pequena Olive. Assistindo aos shows anteriores, a família se inquieta, corre e pede para Sheryl - a mãe - proteger a filha dessa humilhação e nesse momento a mãe diz que a filha se preparou muito e queria estar lá para se apresentar, enfim, ela pergunta a Olive: "Você quer ir? Se não quiser, estaremos aqui para te apoiar." Olive acompanha a assistente e vai em direção ao palco. Creio que deste ponto em diante vocês devem se lembrar o que acontece. O que eu gostaria de dizer aqui é que a família de Olive lutou desde o início da viagem em direção ao concurso Miss Sunshine para que ela pudesse realizar o sonho dela, e, igualmente importante, é que cada membro da f...

Deus e o Mal, quando Ele irá parar os gatilhos?

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Cena em que Agu precisa matar um prisioneiro para ser aceito na tropa - filme Beasts of no Nation A pergunta "Se Deus existe, por que Ele permite que o gatilho seja apertado e que a vida de um inocente seja tirada?" é uma questão daquelas que desafia os cristãos de todas as épocas, pois se Deus criou todas as coisas e Ele é bom, como surgiu o mal? De onde veio o mal, senão de Deus- O Criador? Bom, muitos santos talentosos já escreveram a respeito e fizeram muita ginastica pra dar conta dessa questão e aqui estou eu, uma pessoa nada santa, continuando esta tradição... Graças a você maninha! (a culpa é sua..rs) Deus - Uma grandeza que emudece Eu não sou cristão, e, particularmente, acredito que o Deus hebraico é muito difícil de lidar, pois tudo é oni! Onipotente, onipresente, onisciente..são tantos atributos que não sobra espaço para outros deuses, não existe brecha para a alteridade e isso dificulta nossa relação com Deus. Já conseguiu imaginar uma sílaba eterna? Di...

Qual é o sentido disso tudo?

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A esfinge testando o pessoal a caminho de Tebas - Pintura de Ingres Dizer o que pensamos nem sempre é fácil, uma vez que o que acreditamos, sentimos, amamos, nem sempre nos é disponível pelas palavras. Esses sentimentos estão lá, mas não conseguimos trazê-los à luz, eles se recusam – rebeldes. Por isso, nos acostumamos a falar somente sobre o que está ali, exposto ao céu do meio dia... coisas sobre as quais todos concordam, pacíficas, obedientes. Esse discurso pacífico em torno do qual tecemos nossas conversas mais comuns é como um espelho d’água diante do qual nos colocamos todos os dias. As pessoas se dizem, contam suas histórias coloridas, suas piadas, seus medos... flutuamos vagarosamente sem perceber que existe uma distância entre o que dizemos e onde realmente estamos.  - Por favor, poderia me informar onde fica a secretaria?  - Sim, claro! Fica logo ali, no outro bloco.  - É difícil chegar lá?  - Não, mas eu te acompanho, eu estou de bobei...

Um Louvor ao Boteco

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Caminho devagar em direção ao ponto de encontro e observo o horizonte líquido de vermelhos róseos, sinto o perfume doce de uma ninfeta arder meus pensamentos e me chega a ideia: a noite que se avizinha promete. Isso me desperta uma espécie de gratidão, pois não entendo a razão dos deuses terem me presenteado com uma intuição tão viva... sempre soube das coisas antes que acontecessem e tenho a impressão que o próprio deus Mercúrio é implacavelmente pontual, o que para nós brasileiros significa que ele sempre chega antes. Adentro o boteco e sento em uma mesa ao canto, colado à parede. Observo as pessoas bebendo e conversando, os garçons caminhando com um elegância apressada entre as mesas, carregando pedidos, gritando com os chapeiros. Olho o relógio e sinto um alívio recorrente, de novo cheguei exatamente no horário combinado. Faço isso não por gostar de ser pontual, mas esperar a pessoa amada sempre me preencheu de um prazer imaginativo que aprendi a apreciar depois de muitos at...